ARTE E SAÚDE

TERAPIA ALTERNATIVA: Quando a música é remédio

Danilo Vizibeli

Maria Clara Santana de Faria Ramos, aos 44 anos, é auxiliar de contabilidade em Ribeirão Preto (SP). Depois de um trabalho estressante, se desgastou muito e começou a fazer psicoterapia. Mas, ela conta que depois que começou a estudar música deixou de lado a terapia convencional. “Sempre gostei de música. Fui me descobrindo com a música”, declara.

Mas a opção de Clara não pode ser uma regra para todos. As terapias e formas de tratamentos de doenças, principal as relacionadas com as mente, são várias e para cada caso existe um caminho a ser seguido. “A música é muitas vezes uma aliada para diminuir a ansiedade e até mesmo para a aceitação dos tratamentos convencionais. Em casos brandos, como o de Clara, a pessoa passa a se tratar sozinha e encontra na música um grande médico”, orienta o professor e musicoterapeuta Gustavo Carluccio.

No dia 14 de dezembro de 2008, o Teatro Auxiliadora em Ribeirão Preto estava lotado. A aluna Clara iria subir ao palco para cantar, tocar piano e colocar em prática tudo o que ela aprendeu nas aulas de teoria musical na Escola TomSete, em Ribeirão. A escola é um projeto inovador do professor Gustavo. Ele começou a tocar piano e estudar a música ainda bem jovem. No começo, aos oito anos de idade, abandonou a música. Já na adolescência, por volta dos 15 anos, retornou e, dessa vez, não parou mais. “Trabalhar com a música pra mim não foi um desafio, mas foi uma conquista. Eu também me conheci e construí meu próprio trabalho, a minha escola. Quer terapia melhor do que essa?”, conta Gustavo.

Segunda a Federação Mundial de Musicoterapia, esta técnica consiste na utilização da música e seus elementos como ritmo, melodia e harmonia procurando facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, o aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros. Os musicoterapeutas trabalham com uma gama variada de pacientes. Entre estes estão incluídas pessoas com dificuldades motoras, autistas, pacientes com deficiência mental, paralisia cerebral, dificuldades emocionais, pacientes psiquiátricos, gestantes e idosos. O trabalho musicoterápico pode ser desenvolvido dentro de equipe de saúde multidisciplinar, em conjunto com médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores. “O meu trabalho na verdade não está intimamente relacionado com a musicoterapia, apesar de ser minha especialização. Trabalho a música de forma livre, mas tenho alunos bem pequenos, desde os três anos de idade e que fazem a musicalização. Então, mesmo que não receba o nome de musicoterapia o trabalho acaba englobando essa área. Através do estudo da música vão sendo levantadas diversar questões inerentes à alma e à personalidade humana. Também através da música tentamos descobrir quem é o indíviduo e passamos a usar a individualidade dentro da coletividade. Mesmo que uma pessoa faça uma apresentação individual ela vai precisar de várias pessoas para chegar onde se quer”, explica o professor.

Muitos estudantes de música atestam o sentimento de familiaridade entre o grupo. E destacam ainda que é um sentimento reinante entre pessoas desconhecidas ou longe de algum parentesco sendo assim, uma forma de desenvolver a fraternidade e amor ao próximo dentro do contexto social. “Todo o pessoal se empenha muito. É uma verdadeira família. Um ajuda o outro e no final dá tudo certo por causa disso, da união. A música ajuda a manifestar todos os afetos que você tem. Ajuda a libertar o que você tem dentro de você e que você não consegue fazer em outras coisas da vida. Ajuda na auto-estima, é muito bom”, observa Giovanni Santiago do Nascimento, que aos 17 anos está prestando vestibular para engenharia e matemática. Ele considera que, apesar de não pensar em seguir carreira profissional com a música, pelo menos no presente, ela tem ajudado na concentração durante as provas e ainda brinca: “Não dizem que os músicos tem um Q.I mais alto?”

Em Passos (MG), o Coral da FESP (Fundação de Ensino Superior de Passos), que é aberto à comunidade e está sobre a regência do maestro Luiz Henrique Del Rey também confirma esse sentimento de familiaridade. O próprio dirigente do grupo certifica isso. “É uma oportunidade das pessoas se encontrarem. Fazemos amigos. Ficamos contando o dia de chegar os ensaios para podermos rever as pessoas”, diz.

O grupo estuda as técnicas vocais, fazem exercícios e o repertório conta com variados estilos musicais.  As reuniões acontecem uma vez por semana, no prédio principal da FESP. No momento o grupo está de férias, pois segue o calendário escolar. O retorno das atividades está marcado para fevereiro. Qualquer pessoa pode participar, mesmo não sendo aluno da fundação.  “A música é uma linguagem universal. Atinge vários sentidos, diferentes pessoas, aproxima diversas culturas. Essa oportunidade da FESP é muito interessante, pois uma instituição voltada para a promoção do conhecimento também pode colaborar com a música que também é um conhecimento e muito amplo”, ressalta Del Rey.

A música desenvolve a sensibilidade, a criatividade, diminui a timidez e melhora a capacidade de comunicação, principalmente para quem precisa falar em público. É o que assegura o participante do coral da FESP, Marley Brasil Quirino Júnior. Hoje, ele já é formado em Administração, por esta escola, mas, mesmo assim não abandonou o grupo. “Eu percebia uma melhora até quando tinha que apresentar trabalhos em sala de aula. A gente se solta mais, fica mais auto-confiante. É uma delícia cantar. Eu vivo cantando”, falou

            A dica dos especialistas é começar com as canções mais fáceis e Às vezes apenas desenvolvendo a audição. A música tem que ir de encontro ao gosto da pessoa. E se você que se soltar e vibrar com boas energias, por que não começa a cantar agora mesmo? Caetano, Maysa tão falada por causa da minissérie, ou então Madonna? Cante e dance: a vida é preciosa.

 

 

Colaborou: Luciana Ricardino

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