Passos celebra ecumenismo com a Paixão de Cristo
Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Passos espera lotação máxima do Parque de Exposições para o evento artístico
DANILO VIZIBELI
Especial para o Caderno B
Tradição em Passos e região, a Paixão de Cristo deste ano acontece na próxima semana nos dias 8, 9 e 10 – de quarta à sexta – sempre às 21h00, no Parque de Exposições Adolfo Coelho Lemos. Esse ano com o lema “na claridade de um olhar, a força da fé ilumina os horizontes mineiros”, o Departamento de Cultura, que ficou por conta da Direção Executiva do evento, espera atingir a capacidade máxima do parque na Sexta-Feira Santa, com cerca de 12 a 15 mil pessoas. Nos outros dias são esperados de 8 a 10 mil espectadores.
Sob a direção de Maércio Antônio de Oliveira, da nova gestão da Prefeitura Municipal de Passos, o Departamento de Cultura firmou parcerias para continuar garantindo a qualidade do evento. A direção do espetáculo é de Gustavo José Lemos, grande nome do teatro passense e que está desde o início das montagens da Paixão. Gustavo tem a assistência de Thales Di Carmo.
O espetáculo da Paixão de Cristo – que antes recebia o nome de Paixão ao Vivo ou outras denominações, como Paixão ao Vivo nas praças – acontece em Passos há 17 anos consecutivos. O formato principal da versão atual teve início em 1992, durante a primeira gestão do prefeito José Hernani Silveira. Por algum tempo, tornou-se itinerante visitando algumas cidades da região. “Mas o nosso intuito é que as pessoas venham a Passos e conheçam a cidade. Acredito que a Paixão de Cristo está atrelada ao nome de Passos. Quando dizemos o nome da cidade fora daqui, muitos lembram do espetáculo”, ressalta Gustavo.
No elenco deste ano estão envolvidos 106 atores e ainda mais 20 pessoas da produção. Segundo o diretor, houve um cuidado especial com a luz e para isso foi contratada uma empresa particular sob licitação. Pelo terceiro ano, o papel principal é de Luiz Cláudio Pires. E um dos diferenciais é o cartaz de divulgação que traz pela primeira vez uma cena da tentação de Jesus, colocando-o ao lado do demônio. Atitude talvez um pouco polêmica, o diretor lembra, por sua vez, que o intuito é transmitir a vida da pessoa de Jesus Cristo em todos os seus aspectos, mas de uma forma serena e por isso não é colocado o elemento sangue em cena. “Poderíamos utilizar recursos artificiais, mas a história já é sofrida. Não gosto de exageros, é um espetáculo comedido”, contou. Outro atrativo é o muro das lamentações que esse ano ganhou novos blocos de concreto
De acordo com Maércio Oliveira o pontapé do novo cenário cultural de Passos foi dado com o Carnaval 2009 e a Paixão de Cristo vem solidificar ainda mais os rumos que a vida cultural da cidade pretende tomar. “Seguimos o cerne dos anos anteriores porque estamos no início da direção do departamento. Procuramos manter a qualidade do espetáculo que é um orgulho e tradição passense. O Gustavo começou os ensaios logo depois do Carnaval e contamos com empresas que cuidaram da divulgação, do apoio à caracterização dos personagens e ainda o CAPP (Centro de Aprendizagem Pró-Menor de Passos) que doou os blocos de concretos para a construção do muro. Estamos confiantes”, destacou o diretor.
Ecumenismo
Integrante do calendário de eventos da cidade a Paixão de Cristo é um atrativo para os dias de feriado e reflexão cristã. Os organizadores determinam o espetáculo como um evento ecumênico que é apreciado por pessoas de diversas religiões sem ter, no entanto, conotações particulares. “É a história da vida de Cristo incorporada pelo espírito artístico. Nossa cidade tem uma tradição religiosa muito forte e a Paixão é um momento da identidade, não só de Passos, mas da região”, enfatiza Maércio lembrando que logo após o término do espetáculo serão abertas inscrições para oficinas de teatro e desenho artístico, oferecidas pelo Departamento de Cultura. “Nosso objetivo é não parar. É aquecer aos pouquinhos a vida cultural da cidade e fazer com que seja criada uma consciência de que a arte, cultura e educação promove o bem estar do homem”, disse.
Ao procurar o Departamento de Cultura, a reportagem encontrou alguns atores que estavam conferindo detalhes do figurino. Nathany Feliciano França, 18 anos, já participou como Salomé e Herodíades. Esse ano ela repete o papel da “rainha prepotente e autoritária”. Para Nathany, assim como para todos os atores e equipe de organização, todas as críticas serão bem recebidas para que possam nos próximos anos deixarem o espetáculo ainda mais bonito. “Um artista quer sempre melhorar o seu trabalho. Não é sacrificante, mas exige dedicação. Temos que estudar e procurar fazer o nosso melhor”, observa Nathany. “Quem quiser sugerir, fazer críticas ou apontar as possíveis falhas devem procurar os funcionários do departamento para que possamos juntos construir, no próximo ano, um espetáculo ainda mais engrandecedor”, lembra Maércio.
E como todo teatro a Paixão só acontece pelo envolvimento do público. Caio Vinícius Batista Nascimento, 20 anos, há oito anos participa da Paixão de Cristo. Ele começou fazendo figuração como um dos integrantes da multidão que acompanha Jesus Cristo. Caio subiu ao palco ainda como a “Consciência de Judas” e este ano ele faz o papel de Sacerdote. “O publico é que nos motiva. A multidão que segue Jesus é muito importante para o clima do espetáculo. Tudo gira em torno do povo que seguiu Cristo e que depois solicitou a sua condenação”, afirma o ator.
Para quem vai assistir ao espetáculo o Parque de Exposições, que fica no alto da Avenida da Moda, está preparado com uma boa infraestrutura de acomodação. “Lembramos que há o espaço do elenco e do espetáculo e pedimos ao público que respeite e não invada este espaço. Pedimos também o respeito pelo outro. Não haverá a venda de bebidas alcoólicas. Não temos a pretensão comercial. Seguindo estas dicas, todos terão um bom espetáculo e a fé se fortalece ainda mais”, conclui o diretor de Cultura.

Luiz Cláudio Pires no papel de Jesus sendo tentado pelo demônio